1 de fevereiro de 2010

Pra aprender a ler, pra isso nao tem hora

Para a concepção crítica, o analfabetismo nem é uma “chaga”, nem uma “erva daninha” a ser erradicada, nem tampouco uma enfermidade, mas uma das expressões concretas de uma realidade social injusta. Ninguém é analfabeto por eleição, mas como consequência das condições objetivas em que se encontra. Em certas circunstâncias, o analfabeto é o homem que não necessita ler; em outras, é aquele ou aquela a quem foi negado o direito de ler.
Paulo Freire

21 de janeiro de 2010

Allegría

Muito obrigado aos fazedores de regras. Aos quebradores de costas. Aos autocratas sinceros. Aos falsos democratas. Aos construtores de paredes. Aos pintores de linhas. Muito obrigado. Muito obrigado novamente. Aos tatuadores de números. Aos que apontam com o dedo. Aos que calculam sua usura. Aos que separam por cor. Aos que mentem sorrindo. Muito obrigado. muitíssimo obrigado. Por favor, deêm um passo à frente, em direção aos refletores. Deixem-se fotografar para posteridade. Para agradecer a todos vocês. Deixem-nos registrar seus rostos em nosso álbum da infâmia. Para que nunca esqueçamos. Para que nunca aceitemos.
Viva a Alegria!

20 de janeiro de 2010

Capítulo LXVI: As pernas

"Ora, enquanto eu pensava naquela gente, iam-me pernas levando, ruas abaixo, de modo que insensivelmente me achei à porta do Hotel Pharoux. De costume jantava aí; mas, não tendo deliberadamente andado, nenhum merecimento da ação me cabe, e sim às pernas, que a fizeram. Abençoadas pernas! E há quem vos trate com desdém ou indiferença. Eu mesmo, até então, tinha-vos em má conta, zangava-me quando vos fatigáveis, quando não podíeis ir além de certo ponto, e me deixáveis com o desejo a avoaçar, à semelhança de galinha atada pelos pés.

Aquele caso, porém, foi um raio de luz. Sim, pernas amigas, vós deixastes à minha cabeça o trabalho de pensar em Virgília, e dissestes uma à outra: — Ele precisa comer, são horas de jantar, vamos levá-lo ao Pharoux; dividamos a consciência dele, uma parte fique lá com a dama, tomemos nós a outra, para que ele vá direito, não abalroe as gentes e as carroças, tire o chapéu aos conhecidos, e finalmente chegue são e salvo ao hotel. E cumpristes à risca o vosso propósito, amáveis pernas, o que me obriga a imortalizar-vos nesta página. "


Nesse capitulo eu não consigo sentir os 130 anos que me separam do dia da publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas.
Amáveis pernas, pernas amigas que eu carrego, que para lindos lugares me carregam.
Que em diversas situações me apoiam e não me fazem cair.
Que me fazem andar becos, esquinas e grandes estradas (todas inesquecíveis).
Que tomaram chuva, que se encontraram com outras pernas.
Que dentro da coberta, em sonhos, com elas faço descobertas.

Pernas que quando se juntam com dois olhos, uma Brasília e um coração, uma demasiada alegria me toma conta. W3 norte, L2 sul, Brasília Shopping e Setor de Diversões Norte são seus lugares preferidos. Creio que se um dia elas não mais me pertencerem, vão sozinhas para certos lugares...
Porque em cada bloco que sento, cada faixa de pedestre que atravesso, cada loja que com elas eu entro um pouco de mim fica lá e um pouco de lá fica em mim.
Que não tem olhos mas já viram de tudo, pernas que não têm bocas mas diriam muito, e principalmente sobre mim. Pernas que já quiseram sair correndo ou nunca ter saído.

Um agradecimento especial ao Criador. Essas pernas não achei no lixo, foram me dadas de presente. Que elas caminhem sempre em Tua direção e obedeçam sempre aos Teus mandamentos. Minhas pernas foram levadas ao Teu encontro.

Sim, pernas amigas, vós deixastes à minha cabeça o trabalho de pensar na prova de Geografia , e dissestes uma à outra: — Ela precisa comer, são horas de jantar, vamos levá-la para casa; dividamos a consciência dela, uma parte fique lá com a prova e os estudos, tomemos nós a outra, para que ela vá direito, não abalroe as gentes e as carroças, tire o chapéu aos conhecidos, e finalmente chegue sã e salva em casa. E cumpriram à risca o vosso propósito, amáveis pernas, o que me obriga a imortalizar-vos nesta página.

18 de janeiro de 2010

Sheep na cidade grande, fazendo vestibular

Cazuza já disse por mim: "Eu vejo o futuro repetir o passado." Não é do passado que eu vivo, mas eu vivo por causa dele. As decisões que eu tomei há alguns anos/meses/dias eu vejo agora os resultados. E é nisso que eu venho pensando por esses dias... qual a melhor decisão que eu posso fazer para ter um melhor futuro pra mim? Vestibular. Ah como eu queria testar curso por curso para decidir qual fazer, testar cada profissão no mundo para escolher a melhor para mim. É muito difícil, muito mesmo, ver minhas decisões erradas do passado refletidas agora, martelando na minha cabeça. E o mais difícil ainda é saber que uma decisãozinha irracional que eu tomar hoje vai fazer com que eu me sinta do mesmo jeito daqui a algum tempo. É engraçado me ver assistindo Sheep na Cidade Grande e pesquisando o mercado de trabalho de um engenheiro mecatrônico. É engraçado ver minhas fotos pré-adolescentes e ver como o meu cabelo era feio. É engraçado me imaginar recebendo meu canudo de graduação.
E o melhor de tudo é ter alguém (onisciente e que me conhece mais do que eu mesma) que já decidiu meu futuro. O melhor de tudo é saber que Ele já escolheu as melhores coisas e já fez o melhor futuro pra mim.

12 de janeiro de 2010

Assim como Legião Urbana...

... tem o disco Mais do Mesmo, eu posso ter meu blog Mais da mesma.
Porque é sempre sobre um pouco mais de mim que escrevo